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quinta-feira, 20 de março de 2008

A falência do Santa

Por Marcelo Cavalcante

Dez jogos sem vitórias no Pernambucano – um recorde absoluto – e ameaça de rebaixamento tendo ainda pela frente uma Série C do Nacional para disputar com pouquíssimo dinheiro em caixa. A situação do Santa Cruz é de falência, mas nem isso parece sensibilizar os “grandes tricolores.” No discurso, todos concordam que a união é o passo inicial para se encontrar uma solução. Na prática, isso não passa de um sonho, com ataques de todas as partes e para todos os lados, encontro de ex-presidentes esvaziado, uma solicitação de impeachment que não acontecerá e muitos discursos demagogos de diretores de todas as épocas. Enquanto isso, o clube padece. Então há solução? Possivelmente há. Porém, nenhuma de fácil aplicação a curto prazo. Uma possibilidade seria realizar parcerias com clubes de ponta do futebol brasileiro e com forte trabalho de base, como Cruzeiro, Atlético-PR, São Paulo, Internacional e Grêmio. Mas, a idéia esbarra na falta de crédito do Santa, tanto financeiro quanto de imagem. A Série C é obscura e sem retorno de mídia. Outra alternativa é terceirizar o departamento de futebol, mas para isso o investidor teria que ter capital a investir, o que não foi o caso de Ricardo Rocha. Mas quem investiria em um clube à beira da falência? Outra idéia é garimpar talentos no interior e em Estados de menor tradição como Paraíba, Sergipe e Alagoas. Mas em tempos de empresários, poucos se atrevem a colocar seus garotos em outro clube da Série C, mesmo que com a tradição do Santa em detrimento a clubes das Séries A e B. Então, o que fazer? Talvez apelar para uma união de forças dos tricolores. Ah, mas isso é um sonho, com ataques de todas as partes...

Diário Esportivo

Stênio José // stenio@dpnet.com.br

"Oposição não diz claramente o que fará para salvar o Santa da crise".

Qual o plano?

A oposição tricolor esteve reunida ontem para redigir um documento, que será protocolado durante reunião do Conselho Deliberativo do clube, dia 31 deste mês, pedindo o afastamento do presidente executivo Edson Nogueira. Foi talvez o passo mais significativo dado pelo grupo desde o início da crise do Santa Cruz. A redação do pedido de impeachment de Edinho, no entanto, foi precedida por uma série de declarações, veiculadas na Imprensa, criticando a forma como o clube vem sendo gerido pela atual diretoria - sobretudo o futebol. O grupo oposicionista tricolor só não diz claramente o que fará (ou faria) caso a saída do atual presidente se torne real. Embora seja algo altamente improvável - como ele próprio admitiu ontem, nos jornais -, digamos que Edson Nogueira resolva atender o "clamor popular" e renuncie ao cargo para o qual foi eleito em dezembro de 2006. Pois bem.

Quem assumiria o clube no lugar dele? Qual o plano emergencial que seria (ou será) posto em prática no Arruda, para tentar salvar o Santa de novos vexames? É bom que tudo isso já esteja devidamente planejado pela oposição, porque, caso contrário, o desastre pode ser ainda pior. O que menos o Santa Cruz precisa neste momento é de ausência de poder. Sem ter alguém como referência para responder pelo comando do clube, o Santa ficará à deriva, sem rumo. Ou, quem sabe, tendo apenas como norte o caminho da desordem e da desagregação. A crise tricolor é enorme e algo precisa ser feito urgentemente para estancá-la. Mas cada decisão precisa ser medida com muito cuidado. O Santa Cruz é uma instituição quase centenária, uma nação de milhares de tricolores. E isso precisa ser respeitado.

Mandamentos - O Grupo de Apoio Independente, uma das correntes oposicionistas do Santa Cruz, tem distribuído mensagem via internet contendo os "dez mandamentos" do carrasco tricolor, que é como chamam Edson Nogueira. No e-mail, listam os erros cometidos pela atual gestão e prometem impressão de 50 mil panfletos para denunciar a situação do clube.

Menos ruim - Mesmo ainda lutando contra o rebaixamento à Série A-2 do Estadual, o Santa Cruz pode chegar à Série C do Brasileirão em situação menos desconfortável do que se imaginava anteriormente. É que o programa "Todos Com a Nota" deve proporcionar renda suficiente ao clube para bancar todas as despesas durante a competição.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Diario Esportivo

Stênio José // stenio@dpnet.com.br

"Vantagem inicial pode não garantir Santa na série A-1 em 2009"

Erro de avaliação

Antes de mais nada, um esclarecimento e até um pedido de desculpas. Quando a coluna afirmou que o Santa Cruz entrava na disputa do "hexagonal da morte" de certa forma tranqüilo, com poucas chances de rebaixamento à Série A-2 do Estadual no ano que vem, não foi para enganar o torcedor. Muito menos para tentar minimizar os efeitos da desastrosa gestão do presidente Edinho. O erro de avaliação foi acreditar que a vantagem que a equipe tinha em relação aos rivais seria o suficiente para evitar novo vexame tricolor. Mas na prática estamos vendo que não. Já nas duas primeiras rodadas desta fase final do Pernambucano, o Santa só empatou por 1 x 1 com o Sete de Setembro, em Garanhuns, e perdeu por 2 x 0 para o Porto, anteontem, no Arruda. Justamente os dois que inicialmente ocupavam as últimas posições na tabela de classificação, vendo encurtar de sete para apenas dois pontos a distância para a "zona de rebaixamento" - Petrolina tem 17 pontos; o Santa,16; Centro, Porto e Vera Cruz, 14; e o lanterna Sete de Setembro, 8. E o pior é que não há nada no horizonte que sugira que o time possa encontrar forças para reverter a situação. A única coisa que talvez possa salvar o time da apatia, provocando alguma reação no Arruda, é a motivação dos jogadores. Difícil é saber como atingir o objetivo. De tantos maus resultados colecionados pelo Santa Cruz, parece que os adversários perderam o respeito. Partem para cima da equipe tricolor quase com a certeza da vitória. E quase sempre a conseguem. E o resultado é que a auto-estima dos jogadores despenca mais e mais. Além de ser treinador, Fito Neves vai ter de atuar também de agora em diante como psicólogo. Ou melhor: do jeito que as coisas andam no clube, até de santo milagreiro.

Só em 2010 - Se o rebaixamento do Santa Cruz de fato se confirmar, a equipe tricolor pode só voltar a disputar os tradicionais clássicos com Sport e Náutico no segundo turno do Estadual de 2010. Isso, claro, se o regulamento do Estadual for realmente mantido até lá, como já sugeriu o presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira.