segunda-feira, 14 de julho de 2008

Santa perde e cai para terceiro


Tricolores jogaram com tamanha apatia que ouviram várias vezes o “olé” gritado pela torcida adversária. Acabou levando três gols

Marcelo Sá Barreto
mhenrique@jc.com.br


MOSSORÓ – Esqueça o dedicado Santa Cruz que venceu o Central, por 3x0, na segunda rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, no Arruda. Ontem, diante do veloz Potiguar, no Estádio Leonardo Nogueira (Nogueirão), em Mossoró-RN, os tricolores se apequenaram, quando a torcida esperava assistir ao mesmo esquadrão destemido, em busca de sua volta à Série B. O resultado para tamanha apatia foi a derrota para os donos da casa. Se Juninho e Edmundo, em duas oportunidades claras, isolaram seus arremates, Bigu, Paulo Rangel e Marcelo Dias estufaram as redes para a alegria mossoroense.

Com a segunda derrota na Série C, os tricolores descem para a terceira posição, com três pontos. O líder é o Campinense, com sete. O vice é o Potiguar, com quatro, e o lanterninha, o Central, soma dois. O próximo encontro dos tricolores é no Mundão, novamente contra o time de Mossoró, dia 20.

Na Série C, geralmente é assim: os campos são ruins, duros e com areia para disfarçar as incorreções. Um adversário a mais para os visitantes. E o Santa Cruz sentiu na pele as condições precárias da cancha. O Potiguar, por outro lado, conhecia cada atalho do gramado. Até os 20 minutos, no entanto, o panorama era de igualdade.

O Santa Cruz tinha boa saída com Alexandre Oliveira, mas pouco conseguia criar na intermediária ofensiva. Bem marcado e jogando de costas para o gol, Juninho era facilmente desarmado. Por tabela, isolava os atacantes Edmundo e Patrick.

Após a metade da etapa inicial, a marcação do Santa Cruz se desmontou e o rápido time de Mossoró começou a acreditar no resultado positivo. Sem ter quem segurasse a bola na frente, a zaga coral passou a sofrer com as investidas dos potiguares. O gol era uma questão de tempo. Aos 27 minutos, Bigu tocou para Max e recebeu livre, na frente da meta. Só fez deslocar Gledson, abrindo o placar. O Santa Cruz se descontrolou e passou a receber pressão de toda ordem: cruzamentos na área, jogadas pelas laterais que por muito pouco não se transformaram em gols.

O técnico Fito Neves descartou mudanças no início da etapa final. Trouxe Juninho mais para o meio, para ganhar na saída de bola. O Potiguar, com o zagueiro Ricardo no lugar de Aroldo, se reforçou e passou a marcar o Santa Cruz no seu campo de defesa, aumentando o volume de jogo e sufocando as principais ações dos tricolores.

Sem criatividade, mesmo com a entrada de Rafael Oliveira no lugar de Ribinha, e com os mesmos defeitos da etapa inicial, cedeu espaços ao ponto de o Potiguar alugar o meio-de-campo. Sem posse de bola, os tricolores foram facilmente dominados. Na primeira jogada em velocidade, dentro da área, Esquerdinha derrubou Marcelo Dias. Pênalti cobrado com perfeição, por Paulo Rangel. Logo depois, Éverton lançou Marcelo Dias, no meio da defesa, e ele fuzilou: 3x0.

Atordoado, o Santa Cruz ficou mais exposto e sujeito a novas investidas. A apatia coral era tão nítida, que já aos 22 minutos, ecoavam gritos de “olé” por todo estádio. O Potiguar recuou para definir o confronto nos contra-ataques. Desorganizadamente, o tricolor lutava para diminuir a distância no placar. Perto do fim, as duas equipes pareciam satisfeitas com o resultado, deixando o jogo sonolento e sem competitividade.

Time aposta fichas nos jogos em casa


Faltou o algo a mais aos tricolores, segundo os próprios jogadores, ontem, após a derrota para o Potiguar. Eles destacaram a apatia generalizada diante do time da casa. O técnico Fito Neves, visivelmente chateado, também foi coerente, evitando dar desculpas. Doídos por causa da derrota, elenco e comissão técnica procuraram apostar todas as fichas nas partidas que terão no Arruda, contra o Potiguar e Campinense, nas próximas rodadas.

Com nove pontos, em caso de dois triunfos, os atletas teriam ainda de correr atrás de um empate contra o Central, no último embate da primeira fase, em Caruaru, para seguir na competição.

Para o treinador, as duas chances desperdiçadas por Juninho e Edmundo, no primeiro tempo, também foram determinantes para a derrota. Ele ainda criticou a postura defensiva do seu time. “Às vezes você pede as coisas aos jogadores e eles não fazem”, apontou. “Mas num todo, não dá para enganar, não merecíamos sequer o empate”, afirmou Fito.

O meia Juninho foi explícito. Segundo ele, o time foi disperso e mereceu a derrota. “Fizemos pouco. Vencemos o Central por 3x0 e pensamos que poderíamos vencer fácil, aqui. Não jogamos com a mesma pegada e eles nos venceram”, afirmou.

Desta vez, tricolores foram em paz


Ao contrário das cenas de violência vistas em Campina Grande-PB, quando torcedores da Inferno Coral trocaram socos e pontapés com a polícia, em Mossoró tudo ocorreu com tranqüilidade. Desde as 7h de ontem, policiais fizeram uma barreira na entrada da cidade, abordando ônibus com o intuito de encontrar armas e fogos de artifício. Nada foi encontrado. Além da Inferno, as torcidas Blog do Santinha, Turma da Tesoura e Mulheres que Amam o Santa Cruz Eternamente acompanharam a equipe em mais um jogo da Série C.

“Ficamos felizes por não termos registrado nada demais nas ações, podendo levar segurança às pessoas daqui e aos pernambucanos que queriam assistir à partida”, afirmou o tenente Emerson, da PM potiguar.

Ao todo, dez ônibus vieram de Pernambuco para acompanhar o Santa Cruz. Componente de uma das torcidas organizadas, Ana Maria Tenório é daquelas que se enfeitam da cabeça aos pés de vermelho, preto e branco. Do relógio ao colar. Ela concordou que o clima para o jogo contra o Potiguar estava ameno, diferentemente de quando esteve em Capina Grande. “Aqui tudo foi tranqüilo. Da viagem à vinda para o estádio”, esclareceu.

Apático


Longe do Arruda, Santa Cruz é facilmente batido pelo Potiguar, que assumiu a segunda colocação do grupo

O Santa Cruz perdeu o jogo de ontem e a segunda colocação no grupo 5 da Série C do Campeonato Brasileiro para o Potiguar. Apáticos no ataque e confusos na marcação, os tricolores foram derrotados por 3 x 0 pelo time de Mossoró, que com isso chegou aos quatro pontos e deixou a equipe pernambucana com três, em terceiro. O resultado transforma a partida entre as duas equipes no próximo domingo, no Arruda, em uma questão de vida ou morte.

A vitória sobre o Central, quarta-feira passada, havia deixado a esperança de que o Santa estivesse começando a se acertar. Puro engano. Longe do Arruda, o time foi totalmente diferente. Desde o início da partida, a equipe mostrou dificuldades em superar a boa marcação do Potiguar, que deu pouco espaço para o meia Juninho e o atacante Edmundo. O time da casa tinha homens de frente rápidos e habilidosos, sabendo fazer uso disso, principalmente nos contra-ataques.

Por isso, apesar de equilibrado no número de chances para cada lado, o primeiro tempo teve um certo domínio do Potiguar, que mostrava mais qualidade no toque de bola. A defesa do Santa estava particularmente frágil por seu lado direito, incapaz de conter as investidas do adversário.

Foi por esse lado que saiu o gol do lateral-esquerdo Bigu, aos 27 minutos. Ele recebeu a bola, avançou e, sem ser incomodado pela marcação, chutou forte, no canto esquerdo, abrindo o placar. O Santa procurou reagir e até criou algumas oportunidades, mas também faltou qualidade na finalização.

O segundo tempo, então, foi um pesadelo para o Santa. O lado esquerdo da defesa coral era a alegria dos atacantes adversários. Foi por lá que saíram os dois últimos gols. O primeiro, em cobrança de pênalti, cometido por Leandro Biton em Marcelo Dias. O zagueiro ficou no mano a mano com o adversário dentro da área e não viu outra alternativa a não ser segurá-lo. Paulo Rangel bateu bem e fez, aos 14 minutos.

O terceiro gol saiu quatro minutos depois, novamente com uma subida de Marcelo Dias pelo lado direito. Ele teve calma para marcar na saída de Gledson. Depois disso, o jogo ficou morno, como se as duas equipes estivessem já conformadas com aquele placar. O árbitro ainda deu três minutos de acréscimo, apenas devido às substituições. O apito final acabou sendo um alívio para os jogadores e a torcida.

Potiguar-RN 3
Mondragon; André Borges, Paulão, Lúcio e Bigu; Haroldo (Ricardo Brás), Max, Everton e Diogo; Marcelo Dias (Canindé) e Paulo Rangel (Vasconcelos). Técnico: Miluir Macedo

Santa Cruz 0
Gledson (Jaílton); Marcos Vinícus, Gonçalves, Leandro Biton e Esquerdinha (Neílton); Garrinchinha, Alexandre, Ribinha (Rafael Oliveira) e Juninho; Edmundo e Patrick. Técnico: Fito Neves

Local: Estádio Leonardo Nogueira (Nogueirão), em Mossoró. Árbitro: Arilson Bispo da Anunciação (BA). Assistentes: Luiz Carlos Câmara Bezerra (RN) e José da Silva Sobrinho (RN). Gols: Bigu (P), aos 27min do 1º tempo; Paulo Rangel (pênalti), aos 14min e Marcelo Dias, aos 18min do 2º tempo. Cartões amarelos: Lúcio, Marcelo Dias, Paulo Rangel e Bigu (P); Patrick e Leandro Biton (SC). Público: 2.726. Renda: R$ 14.570.

Minuto a minuto

Primeiro tempo

6 minutos - O atacante Marcelo Dias, do Potiguar, faz boa jogada pela ponta direita e cruza com perigo. O goleiro Gledson sai bem do gol e faz a defesa.

7 minutos - Edmundo recebe lançamento, entra livre na área adversária, mas escorrega na hora do chute e o arremate sai fraco.

12 minutos - Em cobrança de falta pela esquerda, Juninho leva perigo ao gol do Potiguar. Mondragon afasta no susto.

20 minutos - O meia Diogo recebe de Paulo Rangel pela esquerda e penetra na área do Santa Cruz. O chute obriga Gledson a fazer uma bela defesa.

25 minutos - Patrick recebe lançamento de Juninho e avança pela direita. O chute, cruzado, vai para fora.

27 minutos - Gol do Potiguar. Bigu recebe passe na entrada da área. A conclusão, forte, vai no canto direito, sem defesa para Gledson.

32 minutos - Em cobrança de falta frontal, quase da zona intermediária, Juninho quase empata o jogo. Mondragon esticou-se para fazer uma boa defesa.

42 minutos - Alexandre cobra falta pela esquerda. Mondragon defende e, na sobra,Juninho chuta por cima do gol.

46 minutos - Gledson evita o segundo gol, defendendo uma cabeçada de Diogo após cobrança de escanteio do Potiguar.

Segundo tempo

13 minutos - Leandro Biton derruba Marcelo Dias dentro da área do Tricolor. O árbitro marca pênalti.

14 minutos - Gol do Potiguar. Paulo Rangel bate com categoria, no canto direito, à meia altura, e aumenta a vantagem.

18 minutos - Gol do Potiguar. Marcelo Dias recebe lançamento do meio-campista Everton pela direita do ataque do Potiguar, invade a área do adversário e chuta de bico, sem defesa para Gledson.

45 minutos - Juninho fez grande jogada pela esquerda, superando a defesa do Potiguar, e chutou forte. A bola passou perto da trave.

Atuações

Santa Cruz

Gledson - Fez excelentes defesas no primeiro tempo, evitando que o placar fosse ainda mais dilatado. Os gols não saíram por falhas suas. 5

Marcos Vinícus - Era por seu setor que o Potiguar criava suas principais jogadas, especialmente no primeiro tempo. 3,5

Gonçalves - Instável. 4

Leandro Biton - Inseguro como toda a defesa tricolor, ainda teve o papel de fazer o pênalti e ajudar a ampliar a vantagem do adversário. 4

Esquerdinha - Foi o melhor da defesa no primeiro tempo, mas caiu depois do intervalo, quando seu lado se tornou a mina de ouro do Potiguar. 3,5

(Neílton) - Entrou para consertar o lado esquerdo da defesa tricolor. Mas o placar já estava 3 x 0 naquele momento. 5

Garrinchinha - Apático como todo o meio-de-campo tricolor. 4,5

Alexandre Oliveira - No mesmo nível do outro volante do Santa. 4,5

Ribinha - Em alguns momentos, nem parecia que ele estava em campo. Foi substituído no início do segundo tempo. 3

(Rafael Oliveira) - Entrou quando o jogo já estava praticamente definido e nada pôde fazer. 5

Juninho - Estava muito marcado. Mesmo assim, conseguiu criar boas oportunidades para sua equipe, em lançamentos para os atacantes e nas cobranças de falta. 5,5

Edmundo - O veterano atacante conseguiu mostrar sua qualidade em alguns raros momentos. Mas foi muito pouco. 5

Patric - Muita força e vigor físico, mas não é disso que o ataque do Santa Cruz está precisando neste momento. 4

Fito Neves - Sem justificativa, mexeu no setor da equipe que havia sido um destaque contra o Central, na última quarta-feira: o meio-de-campo. A saída de Rafael Oliveira para dar lugar a Ribinha enfraqueceu o futebol dos tricolores, especialmente na criação das jogadas. Quando corrigiu o problema, já estava 2 x 0 e era tarde demais. 4,5

Potiguar

O time preparou-se corretamente para enfrentar o Santa Cruz. Sua marcação deu trabalho aos principais jogadores do time pernambucano, como o meia Juninho e o atacante Edmundo. No ataque, o meia Diogo e o atacante Paulo Rangel mostraram qualidade, levando perigo ao goladversário em vários momentos.

Palavra do professor

A gente não jogou bem também devido ao desgaste provocado pelo jogo de quarta-feira passada. O campo estava pesado naquele dia e tivemos muito pouco tempo para a recuperação. Mas isso não serve como desculpa no futebol. A equipe não entrou ligada na partida. Começamos o jogo com Ribinha porque ele já tinha feito essa função com Edmundo, no futebol paraibano, e Rafael Oliveira é um jogador mais lento que ele.

Fito Neves

Árbitro

O baiano Arilson Bispo da Anunciação acertou ao marcar o pênalti cometido por Leandro Biton em Marcelo Dias. De resto, poucas decisões da arbitragem tiveram grande influência no resultado final da partida. Na parte disciplinar, o jogo foi tranqüilo, e acabou com apenas seis atletas punidos com o cartão amarelo, sendo quatro do Potiguar e dois do Santa Cruz, todos por faltas duras.

"Temos que ter vergonha na cara"

Declaração do volante e capitão Alexandre Oliveira é compartilhada pelos atletas corais sobre atuação do time

Nada de desculpas ou reclamações após o segundo revés sofrido pelos tricolores na Série C. Os jogadores do Santa Cruz assumiram a culpa pelo resultado. Eles mesmos se declararam surpresos com a atuação da equipe diante do time de Mossoró. "Não sei como fizemos um jogo tão bom quarta-feira passada (contra o Central) e hoje (ontem) jogamos desse jeito", questionou-se o meio-campista Alexandre, o mais severo nas auto-críticas feitas pelo elenco coral ontem.

"Temos que ter vergonha na cara e assumir. A culpa foi do time inteiro. Quando perde um, perdem todos. Foi muito pouco o que fizemos contra o Potiguar para uma equipe que pretender chegar longe em uma competição", detonou Alexandre, em uma opinião que encontrou eco em praticamente todo o grupo. "Nossa equipe não mereceu ganhar desta vez. Entramos apáticos desde o começo da partida", observou o lateral-direito Marcus Vinícius.

Agora, o Santa terá uma semana para consertar os erros apresentados ontem e tentar a volta para zona de classificação para a segunda fase da Terceirona. O próximo adversário, domingo que vem, é o próprio Potiguar, mas desta vez no Arruda, onde o time já mostrou que tem outra postura, mais vibrante e competitivo. Os dois estão na briga direta pela segunda colocação no grupo cinco. O Santa tem três pontos e os potiguares, agora, quatro.

Em seguida, o Santa vai a Caruaru, enfrentar o Central, e encerra sua participação na primeira etapa da competição contra o líder Campinense, novamente no Arruda. Apenas os dois primeiros colocados do grupo conseguem a classificação para a segunda fase e continuam sonhando com o acesso à Série B. "Precisamos agora levantar a cabeça, esquecer esse resultado e tentar a vitória de qualquer jeito no próximo domingo, novamente contra o Potiguar", disse o volante Garrinchinha.

Santa Cruz joga mal e é goleado

Cesar Alves/Jornal de Foto



Com uma atuação irreconhecível, Tricolor toma de 3x0 do Potiguar, em Mossoró
Derrota foi péssima porque deixou a equipe coral na terceira posição, fora da zona de classificação
GUSTAVO LUCCHESI

Alerta vermelho acionado nas Repúblicas Independentes do Arruda. Empolgado após conquistar a primeira vitória no Brasileirão da Série C, diante do Central, em casa, o Santa Cruz foi até Mossoró com a missão de conseguir um bom resultado e permanecer na zona de classificação para a segunda fase, porém, a equipe coral acabou humilhada, ontem, pelo fraco time do Potiguar/RN, sendo goleada por 3x0, no Nogueirão. Por conta da derrota, o Tricolor caiu para a terceira posição do Grupo 5, com três pontos ganhos, saiu da área de acesso à fase seguinte e já começa a sentir o pesadelo da Série D batendo a sua porta. Servindo de alento para os tricolores, dos três próximos jogos restantes na primeira fase da Terceirona, o Mais Querido joga dois dentro de casa, sendo a primeira já neste domingo (20), novamente diante Potiguar, desta vez, no Arruda.

Aparentando não saber de toda essa situação preocupante que vive, a equipe tricolor parecia ter se esquecido de entrar em campo ontem, ao ponto de assistir e aceitar com naturalidade uma goleada para um time limitado, que sequer tinha vencido nesta Série C. A começar pela escolha do treinador coral, Fito Neves, que preferiu não repetir a mesma escalação que goleou a Patativa e optou pela entrada de Ribinha na meia, ao lado de Juninho, sacando Rafael Oliveira.

A mudança até pareceu surtir efeito, quando logo aos sete minutos do primeiro tempo, Edmundo recebeu lançamento e ficou cara a cara com Mondragon, porém o “Animal do Arruda” não aproveitou a chance e chutou fraco para a defesa do arqueiro. Aos 25 minutos, Patrick fez boa jogada e chutou cruzado, mas ninguém aproveitou o lance. A partir daí, estava decretado o fim do futebol coral no dia. Parecendo já saber disso, dois minutos depois, o Potiguar abriu o placar com Bigu, que tabelou na meia-lua, recebeu na frente e chutou forte, sem chances para Glédson.

Na segunda etapa, o Santa voltou sem alterações, tanto na escalação quanto na atitude. Parecendo administrar uma vantagem inexistente, os pernambucanos continuavam apáticos. A situação piorou aos 14 minutos, quando Leandro Biton cometeu pênalti. Paulo Rangel bateu com categoria e ampliou o placar. Cinco minutos depois, o estreante Marcelo Dias recebeu lançamento, entrou com tranqüilidade na área e chutou rasteiro para decretar o resultado final. Após o término do jogo, o capitão coral, Alexandre Oliveira, definiu bem a atuação do Mais Querido. “Entramos apáticos e sem vibração, e eu me incluo nesse meio. Temos que ter vergonha na cara e respeitar nossa linda torcida, que nunca nos abandonou”, declarou Oliveira.

Potiguar/RN 3
Mondragon; André Borges, Lúcio, Paulão e Bigu; Adriano, Haroldo (Ricardo Braz), Max e Diogo; Marcelo Dias e Paulo Rangel
Técnico: Miluir Macedo

Santa Cruz 0
Glédson (Jaílson); Marcos Vinícius, Gonçalves, Leandro Biton e Esquerdinha (Neílton); Alexandre Oliveira, Garrinchinha, Ribinha (Rafael Oliveira) e Juninho; Patrick e Edmundo
Técnico: Fito Neves

Local: Nogueirão (em Mossoró, Rio Grande do Norte)
Árbitro: Arílson Bispo da Anunciação (BA)
Assistentes: Luiz Carlos Bezerra e José da Silva Sobrinho (ambos de RN)
Gols: Bigu (aos 27 do 1ºT), Paulo Rangel (aos 14 do 2ºT) e Marcelo Dias (aos 19 do 2ºT)
Cartões amarelos: Lúcio, Paulo Rangel e Bigu (Potiguar). Patrick e Leandro Biton (Santa)
Público: 2.726
Renda : 14.570

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fito Neves tem uma dúvida para pegar Potiguar


O técnico Fito Neves realizou um treino coletivo nesta sexta-feira pela manhã, no Arruda, e praticamente definiu a equipe titular que vai enfrentar o Potiguar, neste domigo, às 16h, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O treinador deverá manter a mesma base que goleou o Central por 3x0 na última quarta-feira, no Arruda.

A única dúvida de Fito Neves se encontra no setor de criação. O treinador gosotu muito da atuação do meia Ribinha e não sabe se o coloca de frente no lugar de Juninho e Rafael Oliveira. Caso um dos dois saia, a tendência é que Rafael vá para o banco de reservas.

Apesar da dúvida, a vida do treinador foi facilitada nesta sexta-feira pela manhã, quando Rafael Oliveira não participou do coletivo. Com Juninho e Ribinha no meio a equipe foi cadenciada e inteligente, criando e deixando Edmundo e Patrick com mais chances de marcar.

Apesar de ter sentido a melhora na equipe, Fito Neves preferiu deixar a escalação oficial para momentos antes do confronto contra o Potiguar, que ocupa a lanterna da competição ao lado do Central com apenas um ponto ganho. Caso os dois pernambucanos venham a vencer, o Santa Cruz assumirá a lideranã isolada da competição, pois ficará com sete pontos contra seis do Campinense, que pega a Patativa.

Da Redação do PERNAMBUCO.COM

Ramos é passado


Atacante preferiu fechar contrato com o Bahia e agora o Santa Cruz tenta acertar com o meia Luís Fernando, ex-Juventude e Grêmio

A alegria durou pouco para a torcida do Santa Cruz. O atacante Marcelo Ramos, que foi anunciado, anteontem, como o grande reforço para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série C, não vem mais para o Arruda. O jogador desistiu de voltar a vestir a camisa do tricolor, após ter feito acerto verbal com os dirigentes do Santa. Segundo o diretor de futebol, Constantino Júnior, o atleta acabou acertando com o Bahia, que disputa o Brasileiro da Série B.

"Ele disse que pesou o pedido do seu filho, que é torcedor do Bahia, a proximidade de seus familiares, já que todos moram em Salvador. Ele pediu milhões de desculpas à torcida coral. Falou que não gostaria de fechar as portas aqui, pois se sentia em casa atuando pelo Santa Cruz. Infelizmente, este tipo de atitude magoa porque já contávamos com ele, mas não há desespero. Temos bons atletas para a posição no clube", explicou Constantino, que revelou valores da negociação envolvendo o atacante. "Na nossa proposta, ele teria R$ 50 mil de luva e R$ 30 mil de salário. OBahia ofereceu R$ 50 mil de luva e salário".

Sem mais nada a fazer em relação a Marcelo Ramos, o dirigente coral adiantou que as negociações com o meia Luís Fernando, ex-Juventude, Grêmio e Vitória, está perto de ter um desfecho. "A gente aguarda uma resposta dele, que está avaliando uma proposta da Polônia. Se não fecharmos com ele, já temos um outro nome".

Hoje, a diretoria coral paga o bicho de 50% aos elenco tricolor pela vitória diante do Central (o valor integral é de R$ 700,00).

Vídeo motivacional

Os jogadores que atuaram na partida da última quarta-feira contra o Central fizeram apenas trabalhos leves, com direito a uma sessão de hidroginástica, ontem à tarde no Arruda. Os demais atletas treinaram forte no CT do Intercontinental, sob o comando do treinador Fito Neves. Apesar do tom de descontração entre o elenco tricolor, o discurso já está voltado para o jogo, diante do Potiguar, em Mossoró-RN.

"Eu particularmente não conheço o time do Potiguar, só vi alguns lances dos jogos deles. A gente tem que manter o ritmo da partida que fizemos contra o Central. Esta é nossa estratégia para sair de lá com os três pontos", comentou o lateral Esquerdinha, de apenas 18 anos. Estreante na noite da última quarta-feira, o atacante Patric destacou o conjunto da equipe e o cuidado que os dirigentes corais tiveram para motivar o grupo, minutos antes da partida. "Eles nos mostraram um vídeo que tocou bastante. Nele tomamos conhecimento da história, glória e títulos do clube".

Responsável pela apresentação do vídeo na preleção coral, o diretor de futebol Jomar Rocha, explica que foram selecionadas imagens marcantes da história do clube. "A conquista do Pernabucano de 93, cenas da torcida no Arruda e as conquistas mais recentes do clube, como o título da Copa Pernambuco 2008, foram mostradas para os atletas. Nosso enfoque foi o de mostrar que houve tempos de glória no passado e que eles podem escrever as glórias do nosso futuro", disse Jomar. Um dos protagonista do tão comentado vídeo motivacional, o volante Alexandre, que aparece nas arquibancadas sociais do clube - tempo em que era apenas torcedor - disse que a presença da torcida foi imprescindível na primeira vitória da Série C. "Foi de arrepidar. Assistir aquela multidão cantando o tempo todo. O vídeo realmente trouxe algo de muito bom", contou.

Rumo a Mossoró

Os torcedores do Santa Cruz que estão pensando em acompanhar a partida do time, neste domingo, em Mossoró, podem procurar A Caravana Coral. Vários ônibus com destino ao interior do Rio Grande do Norte ainda estão disponíveis. Os interessados devem procurar o torcedor coral Davi, responsável pela viagem, através do número 9117-4077. O valor da passagem é de R$ 50,00 e a saída está prevista para às 22h do sábado, na sede do clube.

Superlotação

O promotor Agnaldo Fenelon, que esteve de plantão na Promotoria do Consumidor, na noite de anteontem, quando ocorreu incidente por causa de suposta superlotação no anel inferior do Arruda, quer apurar os fatos e punir os responsáveis. Fenelon pretende se posicionar após receber hoje os relatórios do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. "Sei que mais de 150 torcedores foram retirados das arquibancadas por falta de espaço. Outra parte foi remanejada para onde estava a torcida do Central que, por sua vez, foi colocada nas cadeiras. Acho que houve um desrespeito do Santa Cruz com o torcedor, mas apesar do tumulto não houve ocorrência. Pelo menos, ninguém se dirigiu à Promotoria do Consumidor", comentou o promotor.

MP investiga superlotação no Arruda

Costa Neto/Arquivo Folha



Santa Cruz pode até perder o mando de campo, caso seja constatada a irregularidade
Ministério Público quer saber se havia mais torcedores corais do que deveria ter no anel inferior
Filipe Assis

Quando a vitória por 3x0 contra o Central parecia, finalmente, ter trazido paz ao Santa Cruz, um clima de apreensão volta a preocupar os dirigentes do clube. O Ministério Público de Pernambuco anunciou que vai investigar os incidentes ocorridos na arquibancada do Arruda durante a partida, na quarta-feira passada, quando alguns torcedores foram imprensados e precisaram ser atendidos fora de campo. O MPPE quer saber se houve superlotação no anel inferior do José do Rego Maciel, o que poderia acarretar alguma punição ao clube. A mais grave prevista é a perda do mando de campo.

A investigação do caso está sendo levada adiante pelo promotor do juizado do torcedor Agnaldo Fenelon, que estava de plantão no dia do jogo. Ele revelou que está aguardando um relatório feito pelo Corpo de Bombeiros e pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar - o documento deve ser entregue hoje - para poder fazer algum pronunciamento. “Precisamos saber se houve uma venda excessiva de ingresso e se o espaço destinado ao programa Todos Com a Nota foi suficiente”, explicou.

Segundo o promotor, se for constatada alguma irregularidade, o caso será entregue à promotoria do consumidor, que poderá, dependendo dos desdobramentos, acionar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). “Nesse caso, o Santa Cruz pode ser punido, multado ou perder mando de campo”, adiantou. “Eu gostaria de parabenizar a torcida do Santa Cruz pelo espetáculo que deu. Pena que ela tenha sido tratada daquele jeito. Isso não pode acontecer de novo”, lamentou.

Embora o relatório não tenha sido entregue ainda, é possível ter uma noção do conteúdo do documento, a julgar pelas declarações do comandante do Choque, coronel Luís Aureliano. “O setor do Todos Com a Nota deveria ter, no máximo, 19 mil pessoas. Entretanto, tenho certeza de que havia bem mais gente”, frisou, antes de explicar as intervenções feitas para acomodar melhor o torcedor. “Tiramos os torcedores do Central e colocamos nas cadeiras, e relocamos as pessoas do Santa Cruz que pagaram ingresso de arquibancada para as sociais”, acrescentou.

Por outro lado, os dirigentes corais garantem que não houve superlotação. Segundo o superintendente Luiz Cláudio, o anel inferior do Arruda comporta cerca de 22 mil pessoas, e 18.092 torcedores entraram no estádio com ingresso do Todos Com a Nota. “O Santa Cruz está muito tranqüilo. O que aconteceu foi que as pessoas se aglomeraram na entrada onde estava a Inferno Coral (torcida organizada) e não quiseram passar, causando uma aglomeração. Eu estava ao lado do promotor (Agnaldo Fenelon) e expliquei a ele”, assegurou.

Tricolor quer reduzir ingressos

FILIPE ASSIS

O tumulto registrado na quarta-feira passada, aliado à interdição do anel superior do Arruda, fez o Santa Cruz tomar uma atitude inesperada. O clube vai tentar, junto ao Governo do Estado, reduzir o número de ingressos destinados ao programa Todos Com a Nota. Atualmente, o Tricolor tem direito a 30 mil bilhetes, 5 mil a mais do que no ano passado, na Série B.

A preocupação dos dirigentes corais é quanto às próximas partidas, que deverão ter públicos maiores do que no jogo contra o Central, quando 25 mil estiveram no Arruda. Do jeito como está, caso todos os 30 mil bilhetes sejam trocados, o clube ficaria impedido de vender ingressos de arquibancada, já que todo o anel inferior - contando com o setor de sociais, comporta 31 mil torcedores.

Ou seja, apesar de o estádio ficar cheio, a renda seria pequena. “O ingresso do Todos Com a Nota vale R$ 3,50, mas, quando você desconta os impostos, chega para a gente R$ 2,60”, explicou o superintendente Luiz Cláudio. Além disso, mesmo que o anel superior seja liberado, esse setor cabe apenas 25 mil pessoas, o que obrigaria o clube a reservar espaço no anel inferior para 5 mil pessoas.

“Estamos vendo com o nosso Departamento Jurídico, se o contrato assinado com o Governo do Estado permite a gente fazer alguma mudança”, acrescentou Luiz Cláudio, que já anunciou mudanças na acomodação do tricolor que vai adquirir ingresso do Todos Com a Nota para a partida da próxima quarta-feira, contra o Potiguar/RN. “O torcedor terá três acessos: pelo portão da rua Rosa Gattorno, pelo lado do canal e pela rampa do canal”, disse.

Apesar de não ter sido consultado ainda, o coordenador do programa Todos Com a Nota, José Artur, adiantou que é possível reduzir a carga de ingressos para o Santa Cruz. Para isso, entretanto, será preciso uma reunião com dirigentes dos quatro clubes pernambucanos que participam da Série C (além de Santa Cruz, Central, Salgueiro e Petrolina). “Temos que sentar para ver uma solução. O que não pode é ultrapassar o limite estabelecido pelo Palácio”, afirmou.

Marcelo Ramos não vem mais

GUSTAVO LUCCHESI

Parece piada, mas não é. Como já vem virando rotina no Arruda, outro atleta anunciado pela diretoria coral como reforço do Santa Cruz para o Brasileiro da Série C não vem mais. Depois de Alexandre Fávaro, Jorge Henrique, Zumbi e Sidraílson, o personagem principal desta vez foi um ex-ídolo da torcida coral: o atacante Marcelo Ramos, que resolveu aceitar uma proposta do Bahia e irá defender o Tricolor de Aço na Segundona.

Diferentemente dos outros casos, os dirigentes do Mais Querido não pouparam esforços para conseguir o retorno do atleta ao Arruda, porém, apesar de ter acertado todos os valores com os cartolas pernambucanos, o artilheiro baiano alegou preferir ficar perto da família e de sua terra natal, e telefonou ontem, pela manhã, para o presidente tricolor, Édson Nogueira, o Edinho, pedindo desculpas e informando que tinha acertado com o Bahia.

Nem a excelente proposta coral, de R$ 30 mil de luvas e R$ 30 mil de salário, fizeram o atacante manter a palavra dada aos dirigentes do Santa na última quarta-feira, com Marcelo preferindo receber R$ 50 mil de luvas e R$ 50 mil de salário mensal, proposta essa feita pelos baianos. Já o meia Luiz Fernando ainda espera por exames médicos, podendo ser anunciado ainda hoje como reforço do Tricolor.

PRECAUÇÃO

Querendo evitar as cenas lamentáveis ocorridas na estréia do Mais Querido na Série C, em Campina Grande, a diretoria coral entrou em contato com a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, solicitando reforço nas proximidades do estádio Nogueirão, onde o Santa Cruz enfrenta o Potiguar/RN, domingo. Os tricolores enviaram um ofício à PM potiguar, informando que haverá um grande deslocamento de torcedores pernambucanos para acompanhar a partida.

Marcelo Ramos troca o Santa pelo Bahia


Dispensado pelo Atlético-PR no começo da semana, atacante estava acertado com corais, mas recebeu proposta tentadora do clube que o revelou e vai jogar a Série B do Brasileiro

A tentação de uma proposta melhor e a segurança de permanecer em atividade pelo menos até o fim de novembro fizeram Marcelo Ramos desistir de retornar ao Santa Cruz e intensificar as negociações com o Bahia, integrante da Série B do Campeonato Brasileiro. O atacante, revelado pelo próprio tricolor baiano, havia sido anunciado como reforço pelo presidente executivo coral, Édson Nogueira, na tarde da última quarta-feira. No começo da semana, o goleador foi dispensado pelo Atlético-PR.

No Arruda, Marcelo Ramos tinha acertado um salário de R$ 30 mil e a promessa de receber dois meses adiantados, independentemente do desempenho da equipe na Série C do Brasileiro. A proposta do Bahia foi de R$ 50 mil de luvas e um vencimento do mesmo valor. O atacante avisou da desistência na noite da própria quarta-feira. “É preciso deixar claro que Marcelo Ramos não agiu de má-fé. Apenas o Bahia fez uma proposta maior do que a nossa”, explicou o diretor de futebol Jomar Rocha.

Quando Marcelo Ramos foi anunciado, a contratação de um atacante já não era prioridade no Arruda. Para a posição, o técnico conta no elenco com Edmundo, Cléo, Thomas Anderson, Gilberto e Patrick. O jogador viria para incrementar o grupo. Como teve uma excelente passagem pelo próprio Santa Cruz no ano passado e estava à disposição, os dirigentes resolveram investir. “Os nossos atacantes, em princípio, estão trabalhando bem”, resumiu Jomar Rocha.

A diretoria trata com pressa a aquisição de um zagueiro experiente e um lateral-esquerdo. Na estréia, o treinador improvisou os volantes Leandro e Memo em um esquema com três zagueiros. Na segunda rodada, com dois defensores, Leandro ficou ao lado do zagueiro Gonçalves. Stanley e Wecquisley são especialistas na posição, mas ainda não foram aproveitados pelo comandante.

Na esquerda, o titular vem sendo o recém-promovido das categorias de base Esquerdinha. O lateral-esquerdo Neílton, contratado para a competição, nem sequer ficou no banco de reservas na vitória por 3x0 sobre o Central. Atualmente, o elenco tricolor conta com 28 peças, e a folha salarial gira em torno de R$ 130 mil.
ARBITRAGEM

O árbitro baiano Arílson Bispo da Anunciação apita Potiguar x Santa, domingo, em Mossoró. Os assistentes serão Luiz Carlos Bezerra e José da Silva Sobrinho, ambos do Rio Grande do Norte.

Promotor do MPPE vê superlotação no estádio

Mesmo sem ter visto os relatórios do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco, o promotor do Juizado Especial do Torcedor Aguinaldo Fenelon afirmou que o Santa Cruz excedeu na venda dos ingressos para o confronto diante do Central, anteontem à noite, no Arruda, pela segunda rodada da Série C do Campeonato Brasileiro. Os laudos serão entregues ao Ministério Público (MPPE) hoje à tarde.

Fenelon adiantou que o processo será encaminhado à procuradoria do consumidor. “É público e notório de que havia mais gente no Arruda do que cabia. Houve erro de cálculo na venda de ingressos. Tanto que o Batalhão de Choque retirou vários torcedores com escoriações para dentro do campo. Sem dúvida será aberto um procedimento de investigação. O torcedor se comportou de forma exemplar. Dessa vez, o clube foi quem praticou a violência.”

O Santa Cruz anunciou no item “público total”, no borderô, a presença de pouco mais de 25 mil torcedores. O anel inferior de arquibancadas, segundo o clube, tem capacidade para 31 mil pessoas. “Estranho a posição de Fenelon porque ele estava ao meu lado no intervalo (do jogo) e observou que havia espaço na arquibancada. Aconteceu acúmulo de pessoas em um só lugar, pois elas queriam ficar próximas da Inferno Coral”, declarou o superintendente de futebol tricolor, Luiz Cláudio.

O árbitro do confronto, Emerson Sobral, não fez qualquer menção aos incidentes na súmula. “Independentemente do árbitro, nós podemos informar ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) sobre os incidentes”, informou Fenelon. “Estamos com a consciência tranqüila, identificamos o problema com a PM e solucionamos. Não houve superlotação, faltou estrutura para a entrada dos portadores de ingresso do Todos com a Nota”, rebateu Luiz Cláudio.

Torcida segue time em Mossoró

Assim como fez nos dois primeiros jogos da Série C – contra Central, no Arruda, e Campinense, em Campina Grande –, a torcida do Santa promete apoio total ao time no confronto de domingo, diante do Potiguar, em Mossoró. Apesar da grande distância – a cidade fica a 540 km do Recife – várias facções da torcida coral estão organizando caravanas. Entre as torcidas Inferno Coral, Santa Paz, Força Jovem, Blog do Santinha e Corais do Orkut, 10 ônibus estão à disposição dos tricolores para o trajeto Recife/Mossoró.

“Após a vitória diante do Central, várias pessoas vieram me cobrar uma excursão para Mossoró. Corremos e conseguimos fechar com uma empresa, que nos alugou um ônibus para 50 pessoas”, disse Danielle Leal, do Blog do Santinha. A saída, do Empresarial Trade Center, na Avenida Rosa e Silva, acontece às 23h30 do sábado. Os interessados devem ligar para o fone 9235-7950 e falar com Danielle. A passagem de ida e volta custa R$ 90.

Já as torcidas Santa Paz e Força Jovem estão com seis ônibus e cada passagem sai por R$ 60. De acordo com um dos organizadores, Marquinhos (8749-8245), a caravana partirá do pátio da feira do Arruda, às 23h30 do sábado. Já o grupo Corais do Orkut terá um microônibus, com capacidade para 28 pessoas. Os interessados devem ligar para Sérgio (8628-8255) e desembolsar R$ 80. Por sua vez, a Inferno Coral, que está cobrando R$ 35 por pessoa, vai com dois ônibus, que sairão do Arruda às 6h30 do domingo.

Para tentar evitar brigas como ocorreu em Campina Grande, a diretoria do Santa Cruz enviou um ofício para a Polícia Militar em Mossoró, pedindo segurança para a torcida coral. “Se houver uma escolta na nossa chegada e na saída, garanto que não haverá problemas. Mas se ocorrer como em Campina Grande, que apedrejaram nossos ônibus, não temos como não reagir”, disse Álvaro Luís Melo, Dinho, presidente da Inferno Coral.