quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Lideranças falam em novo “marco zero”


Todos os postulantes à presidência do Santa Cruz para o biênio 2009/10 abriram mão das candidaturas em prol da do secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho. Todos apostam que ele pode atrair investidores para aliviar todos os problemas tratados pela série encerrada hoje pelo JC. Marcos Leandro

mleandro@jc.com.br

Antônio Luiz Neto, Fernando Veloso, Romero Jatobá Filho, Fred Arruda, Felipe Rego Barros, Ricardo de Paula, Rui Monteiro e até o ex-jogador Ramon. Depois do empate por 1x1 com o Campinense, no Arruda, que praticamente eliminou o Santa da Série C do Brasileiro, muitos foram os nomes ventilados para a suceder Edson Nogueira, Edinho, na presidência coral. O pleito, que foi antecipado do dia 12 de dezembro para 30 deste mês –, se anunciava como um dos mais acirrados dos últimos tempos, mesmo com o tricolor endividado e momentaneamente sem divisão a disputar no Nacional em 2009.

O bate-chapa e todo esse cenário esvaiu-se em virtude da candidatura do secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e presidente do Porto de Suape, Fernando Bezerra Coelho, 50 anos, natural de Petrolina, na qual já foi prefeito em três oportunidades. Até então desconhecido do grande público no cenário futebolístico, ele aceitou a missão de tentar resgatar a nau tricolor, hoje afundada em um mar de dívidas (estimadas em R$ 60 milhões) e decepções. Todos os grupos políticos retiraram suas candidaturas, apostando na capacidade de Bezerra Coelho atrair investimentos.

O discurso das lideranças corais é que o Santa pode estar vivendo um “marco zero”, mesmo aos 94 anos de vida. Para grande parte da torcida, Fernando Bezerra Coelho surge como salvador da pátria. Mostrando satisfação com o convite, o secretário rechaçou logo o rótulo. Segundo ele, vai ser preciso muito trabalho de todos os tricolores na tentativa de soerguer o clube.

E ao que parece, ele está querendo trazer nomes de peso para o Arruda. Pessoas que não vinham envolvidas no processo eleitoral do clube. “O secretário comentou que queria um nome de impacto na sociedade para o Conselho Deliberativo e chegou a citar o nome de Marcos Magalhães, presidente do Conselho da Philips, só como exemplo. O importante foi que todos os grupos que postulavam à presidência do clube deixaram Bezerra Coelho bem à vontade para definir sua equipe de trabalho”, destacou Fred Arruda, da Aliança Coral. O nome do senador Marco Maciel também foi ventilado, assim como os deputados federais Bruno Rodrigues e André de Paula.

Na próxima sexta-feira, está marcado um novo encontro, agora para decidir a formação da chapa do Conselho Deliberativo. Nomes de cerca de 300 conselheiros estão sendo recolhidos. O vice do Executivo só deve ser decidido na semana que vem, já que a chapa poderá ser registrada até o dia 22 deste mês.

“A tendência é que o secretário traga gente nova para dentro do clube e isso é bom, pois quem vier não vai ter o ranço político. Fiz apenas um pedido, se alguma outra facção for contemplada com um cargo, gostaria que Antônio Luiz Neto ou Ricardo de Paula também fizessem parte. Eu, particularmente, vou ajudar de outra forma”, disse Romero Jatobá Filho, que era vice na chapa União de Verdade, encabeçada por Antônio Luiz Neto. Antes, Romerito tinha tentado lançar Ricardo de Paula, que comandou a comissão patrimonial na sua gestão.

“Recuperação do Santa exigirá calma”

Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e presidente do Porto de Suape, Fernando Bezerra Coelho, 50 anos, aceitou o desafio de comandar o soerguimento do Santa Cruz. Atarefado, ele assume que vai montar uma equipe de trabalho para servir integralmente ao clube, hoje eliminado do Nacional.

SALVADOR-DA-PÁTRIA

Não existe salvador-da-pátria. O projeto de recuperação do clube precisa do apoio de todos os tricolores. Como torcedor, nunca imaginei que poderia viver esse momento. Porém, ser presidente do Santa Cruz é uma satisfação pessoal. A recuperação do Santa exigirá calma. O pensamento primeiro é voltar para a Série C depois para a B do Brasileiro.

TEMPO

Será muito complicado conciliar as tarefas de secretário de Estado e a de presidente do Santa. No entanto, foi me concedida a liberdade para montar uma equipe profissional que possa se dedicar integralmente ao clube nos próximos dois anos. Dessa forma, ficarei liberado de algumas atividades do dia-a-dia para me concentrar em articular políticas estratégicas para captação de recursos para solucionar problemas emergenciais e também formar um time competitivo já para o Pernambucano.

DINHEIRO E PROJETOS

A torcida é imensa, sobretudo nos segmentos C e D. Tem empresas de material esportivo, bancos e supermercados, interessadas nesse público. Minha primeira medida foi pedir uma auditoria ao presidente Edson Nogueira, para conhecer a realidade das contas do clube. A partir daí, também vamos realizar um projeto para a recuperação do Arruda (o anel superior está interditado), como também das categorias de base.

EQUIPE DE TRABALHO

Para minha alegria, recebi o aval para formar as duas chapas (Conselho Deliberativo e Executivo). Estamos conversando com alguns nomes novos e fiquei muito feliz de ter recebido o apoio das lideranças do clube, independentemente de cargo.

TÉCNICO

É prematuro para falar em perfil de técnico. Não sabemos nem quem vai ser o responsável pela gestão do futebol, quanto mais para especular nome de treinadores.

Ajuda fora da chapa


Lembrado para ocupar a presidência do Conselho, Marco Maciel não quis se pronunciar sobre cargo dentro do Santa Cruz
Depois da oficialização do nome de Fernando Bezerra Coelho como candidato único na sucessão do Santa Cruz, a semana vai girar em torno de especulações de como será montada sua chapa. O Secretário de Desenvolvimento Econômico do estado deixou claro que a idéia seria dar peso com nome de grande envergaduras. O primeiro deles teria sido do senador Marco Maciel. O Diario foi repercutir a possibilidade de Maciel ser o presidente do Conselho Deliberativo do clube coral.

Através de sua assessoria de imprensa, o senador mostrou-se preocupado com a situação do clube. "O Santa Cruz é uma questão muito importante para minha família. Estou acompanhando e posso contribuir para encontrar soluções para o clube, mas não quero me pronunciar sobre nenhuma composição de chapa", confessou o senador.

Nenhum convite formal foi feito a Marco Maciel. Seu nome foi, na verdade, apenas exemplificado como um dos mais importantes para comandar o Conselho Deliberativo. Mas vale lembrar que quem levantou o exemplo da possibilidade de contar com o senador foi o próprio Fernando Bezerra Coelho. Essa é mais uma prova que, mesmo estando em palanques políticos diferentes no Estado, Bezerra Coelho está pensando mais no Santa Cruz e na união dos tricolores.

Deve crescer nos próximos dias o nome do ex-presidente da Phillips na América Latina, Marcos Magalhães, para assumir a vice-presidência executiva ou ainda o Conselho Deliberativo. Ainda na base da especulação os deputados federais Bruno Rodrigues e André de Paula também apareceram com possibilidades. "Não fui procurado, mas seria uma honra ajudar", disse Bruno Rodrigues.

Transição começa hoje

Enquanto as costuras continuam a todo vapor nos bastidores do Santa Cruz, o grupo de transição começa a fazer hoje um diagnóstico de toda a situação financeira, administrativa e também do futebol do clube. Quem coordenará o processo será o diretor de futebol, Jomar Rocha, que vai abrir o clube para um grupo de assessores de Fernando Bezerra Coelho.

Será realizado um verdadeiro raio-x sobre todos os departamentos do Santa Cruz. A idéia da atual diretoria é facilitar ao máximo o acesso às informações do clube. Uma empresa de contabilidade, que trabalha para o clube, apresentará todos os gastos e as receitas da atual gestão. Serão detalhados também quanto se deve com o quadro funcional, o futebol e as categorias de base. Os funcionários, por exemplo, estão atrasados há dez meses.

Agenda da sucessão

Amanhã

- Divulgação da lista de sócios aptos ao voto

- Publicação do segundo edital de convocação da eleição

Sexta-feira

- Reunião no escritório de Fred Arruda para fechar a chapa do Conselho Deliberativo

Quarta-feira, 17

- Início do processo de inscrição de chapa

Segunda-feira, 22

- Último dia para inscrição de chapa

Terça-feira, 30

- Eleição

Terça-feira, 7/10

- Posse do novo Conselho Deliberativo e aclamação do novo presidente Executivo

Marco Maciel deve ser chamado para o Conselho

Ivve Rodrigues/Arquivo Folha



Convite oficial ao senador tem tudo para acontecer ainda hoje
“O sangue da sua família corre na história do clube”, disse Fernando Bezerra Coelho
GUSTAVO LUCCHESI
Um dia após ser anunciado como candidato único à presidência do Santa Cruz no biênio 2009/2010, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Fernando Bezerra Coelho, não quis saber de perder tempo e, aos poucos, já começa a se articular para formar a equipe, que será, segundo o próprio, “peça fundamental” na sua gestão. Como já havia adiantado, Bezerra Coelho não pretende convidar ninguém ligado aos blocos políticos já existentes no Mais Querido. Segundo informações, a medida foi adotada como forma de prevenir um possível mal-estar entre os grupos.

Baseado na idéia de formar uma chapa de prestígio, com o intuito de atrair investidores ao Santa Cruz, o futuro mandatário coral deverá fazer, provavelmente ainda hoje, um convite oficial ao senador Marco Maciel (DEM) para assumir o cargo de presidente do Conselho Deliberativo. Apesar de não estar diretamente ligado às ações políticas do Tricolor há alguns anos, o ex-vice presidente da República tem uma forte ligação com o clube desde pequeno. Como prova disso, está o estádio da Cobra Coral, mais conhecido como Arruda, que leva o nome oficial de José do Rêgo Maciel, pai do senador.

“Estamos fazendo uma sondagem ainda. Pedi para o André de Paula conversar com o Marco Maciel amanhã (hoje) e saber sobre a sua disponibilidade e disposição para assumir o cargo. Para todos nós tricolores, seria uma honra imensa, pois o sangue da sua família corre na história do clube. Além disso, é uma pessoa de bastante prestígio e que iria nos ajudar bastante”, comentou Bezerra Coelho.

Cumprindo as suas atividades como senador, Marco Maciel se pronunciou através da sua assessoria de imprensa. “A questão que vive o Santa Cruz é muito importante para mim e minha família. Estou empenhado em não medir esforços para ajudar o clube, entretanto, por enquanto, não vou me manifestar sobre formação de chapas para a eleição”, informou através do seu assessor. O nome de Marco Magalhães, presidente do Conselho Administrativo da Phillips, também foi cogitado para ocupar algum dos cargos disponíveis, porém, as normas da empresa não permitem que ele ocupe outra função.

REUNIÃO

Está marcada para sexta-feira, às 17h, uma reunião com algumas lideranças políticas do Tricolor, onde será anunciada a formação completa do Conselho Deliberativo. Todos os blocos levarão alguns nomes para compor a estrutura, que passará a contar com cerca de 300 conselheiros, o dobro do atual número, além de um presidente e um primeiro-secretário.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Bezerra Coelho formará equipe para atuar em sua ausência


Do JC OnLine
Com informações da Rádio Jornal

O candidato único e futuro presidente do Santa Cruz, Fernando Bezerra Coelho, avisou que formará uma equipe para tocar os trabalhos no clube quando ele não estiver presente, pois não deixará a secretaria de Desenvolvimento Econômico. Sua função, de acordo com ele mesmo, será com as políticas estratégicas e captação de recursos para viabilização financeira do tricolor.

No que diz respeito à equipe, Bezerra Coelho não especificou quantos nem quem vai ficar responsável. Ele só adiantou que buscará pessoas que tenham dedicação integral ao clube. Já a chapa completa deve ser anunciada e lançada oficialmente na semana que se inicia no dia 22 (uma segunda-feira). Esse dia é o último para inscrição.

"Já estamos em contato com alguns nomes. Eles ficaram de estudar a situação. Outras pessoas também serão procuradas futuramente. Agradeço a prova de confiança em poder escolher essa equipe com liberdade. São pessoas que estarão dedicadas integralmente para me liberar para as questões estratégicas e na busca de recursos", pontuou.

A auditoria nas contas do Santa, já falada pelo futuro presidente após a reunião que definiu sua candidatura única, deve iniciar seus trabalhos nesta quarta (10) e fora definida em reunião anterior com o atual mandatário, Édson Nogueira.

"Já tive essa reunião com Edinho e essa auditoria será importante para termos uma noção das dívidas e dos compromissos mais urgentes", enfatizou.

E por falar em dívida, estima-se que o débito total do clube do Arruda esteja na casa dos R$ 60 milhões. Seja qual for o valor, o secretário avisou que não volta atrás na decisão. "Não volto atrás. Entendo que o momento é importante e decisivo não apenas para o Santa Cruz, mas para o próprio futebol pernambucano", apontou.

SAÍDA

O volante Alexandre definiu sua transferência para o ABC, de Natal. Ele segue o mesmo caminho dos laterais Luisinho Netto e Piauí; e o meia Fabiano Gadelha - o primeiro recém-saído do Sport e os dois últimos do Náutico.

Um gigante ocioso


Carlyle Paes Barreto

carlyle@jc.com.br

Patrícia Alves

pbarbosa@jc.com.br

Mundão, Colosso, Gigante do Arruda. Os adjetivos são vários para o estádio do Santa Cruz. E quase sempre utilizados de forma positiva. Mas o maior orgulho da torcida coral vem sendo um problema a mais nesta crise que parece sem fim. Este ano, deu mais prejuízo do que lucro, transformando-se num peso extra para a direção do clube.

Ultrapassado, a exemplo da maioria das praças esportivas do Brasil, o Arruda parou no tempo. Apesar de ser o estádio mais novo da capital pernambucana (construído em 1972), não recebe mais jogos internacionais. O último foi há 13 anos, no amistoso em que a seleção brasileira venceu a Polônia por 2x1.

O local também não foi concebido para abrigar outros eventos, embora já tenha sido alugado para a encenação da Paixão de Cristo do Recife, de evento evangélico e até para o show do grupo musical Menudo, no início da década de 80. Uma megaestrutura que ficou ociosa. Principalmente agora, com o time profissional em férias prolongadas.

“O Santa Cruz não construiu o Arruda. Ganhou de presente e não tem condições de mantê-lo”, admite o próprio presidente tricolor, Edson Nogueira, Edinho, referindo-se ao fato de o governo do Estado ter bancado a construção e, depois, as ampliações.

Edinho, bastante questionado pelo desempenho do time dentro de campo, sofreu com falta de manutenção do José do Rego Maciel, que culminou com a interdição do anel superior durante toda Série C do Campeonato Brasileiro. Mais prejuízo.

“Contávamos com 30 mil lugares da Campanha Todos com a Nota, mas, com a interdição, tivemos que trocar apenas 15 mil bilhetes”, lembra o superintendente do clube, Luís Cláudio. “E esses ingressos rendiam ao Santa R$ 3,5 cada. Mas com impostos e taxas, ficavam apenas R$ 2 por bilhete. É impossível fazer futebol assim.”

A situação tomou proporções inadministráveis com a campanha do time no Nacional. Para os últimos jogos, os atletas passaram a treinar apenas em um expediente, pela manhã, por conta da falta de energia. Os vestiários ficavam mais escuros à tarde. Não havia dinheiro nem para comprar o óleo diesel que abastece o gerador. Na semana passada, parte dos jogadores chegou a tomar banho, após o treinamento, com a água da piscina do clube. O fornecimento d’água também está cortado.

“Como o clube deve mais de R$ 500 mil à Celpe, o jeito foi passar a utilizar geradores, o que duplica o gasto mensal com energia. Com a energia elétrica eram R$ 20 mil por mês, agora, só com o aluguel dos geradores, chegamos a gastar R$ 30 mil, em média, fora o óleo diesel”, explica o superintendente.

O Santa desembolsa mais de R$ 50 mil com a folha de pagamento dos funcionários administrativos. O custo total para manter o Arruda é R$ 100 mil por mês, levando-se em conta também os departamentos de futebol profissional e amador, sem contar com salários de atletas. A receita de sócios não passou dos R$ 90 mil. “No mês passado, havia 3.121 sócios em dia. E deve diminuir”, resigna-se o dirigente. “O maior desafio é agora. Sem receita, sem salários e com a barriga vazia.”

Luís Cláudio ressalta que o clube aprendeu a manter o estádio com uma receita pouco moderna: as doações. “Mas elas dependem muito do desempenho do time dentro de campo. Agora piorou. Tivemos até que liberar os juniores até outubro. O prejuízo só faz aumentar”, reclama. “É um patrimônio que o Santa tem e não consegue manter”, completa.

PROPOSTA POLÊMICA

O publicitário José Nivaldo Júnior, ex-conselheiro coral, defende o arrendamento do Arruda. Ele gostaria de ver o estádio José do Rego Maciel entregue a empresários. “Se o Santa Cruz não consegue manter o Arruda deveria fechar a sede, alugar tudo aquilo para algum grupo. Os dirigentes passariam a gerir o clube numa sala no prédio da própria Federação Pernambucana”, sugere.

“É como administrar uma cidade”


Administrar o Mundão pode ser como dirigir uma pequena cidade. Os gastos mensais com iluminação, água e funcionários do Arruda são comparados aos de uma prefeitura de um município de 30 mil habitantes, como Vicência, por exemplo, na Zona da Mata do Estado. Além de uma subestação de energia elétrica, são mais três geradores, quatro poços artesianos, cinco reservatórios d’água, 45 banheiros, 112 funcionários administrativos e mais 18 exclusivos da Comissão Patrimonial.

“Comparo o Arruda à uma miniprefeitura. O tamanho, a forma funcional e a distribuição das tarefas se parecem”, explicou o ex-presidente do Santa Cruz João Caixero. Porém, o tricolor de hoje o permite comparar à uma cidade falida já que os “impostos” recolhidos são oriundos de um futebol decadente. “É complicado manter toda essa estrutura sem o futebol funcionando. Essa é a grande dificuldade. O Arruda é administrável, mas a receita depende da representatividade do futebol em campo”, justificou Caixero.

O complexo do José do Rego Maciel inclui uma concentração para 25 profissionais, com 10 quartos com TV a cabo, chuveiro elétrico e ar-condicionado. Além de cozinha industrial, sala de vídeo, sala para palestras, sala de internet, academia, sala de fisiologia, consultório odontológico (que nunca foi utilizado), departamento médico reformado e lavanderia.

Também há uma concentração para os juniores que abriga até 30 atletas, no entanto, as obras de reforma estão paradas.

Mesmo com uma das maiores torcidas do Brasil, o Santa Cruz não possui lojas próprias do clube em seu estádio. Há apenas uma arrendada. As outras, que eram alugadas, foram destruídas durante a administração de Edinho para a construção de um ponto do Habib’s, o que nunca aconteceu. Em temporadas melhores, segundo Caixero, o Santa Cruz vendia cerca de 800 mil camisas oficiais. Hoje, os números são irrisórios. Até o projeto de um campo para futebol society sofreu com o abandono e nunca foi concluído. “Permaneceu o campinho que mais parece um campo de subúrbio. Só areia”, diz o superintendente Luís Cláudio.

O Santa também possui débito antigo de fornecimento de alimentação com o Bar do Galvão, por isso o estabelecimento não paga aluguel ao clube.

Bezerra aceita cargo, mas pede auditoria


Secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, ratificou sua candidatura à presidência do Santa. Primeira medida foi solicitar uma auditoria para conhecer contas do clube

Depois de cerca de duas horas de reunião com algumas das principais lideranças do Santa Cruz, ontem à noite, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Fernando Bezerra Coelho, oficializou sua candidatura à presidência do clube para o biênio 2009/10. Com a sinalização positiva dos pré-postulantes ao cargo, Bezerra Coelho, antes mesmo de assumir o posto, já tomou sua primeira medida: pediu uma auditoria das contas do clube.

“Fiquei muito satisfeito com a liberdade que me foi concedida por todos os grupos políticos e agora é começar a trabalhar. Já conversei com o presidente Edson Nogueira, Edinho, e solicitamos uma auditoria para conhecer a realidade das contas do clube. O Santa Cruz vive um momento decisivo e precisamos do apoio de todos os tricolores”, enfatizou Bezerra Coelho, que espera ter o resultado da auditoria nos próximos 15 dias. A dívida do Santa está estimada em R$ 60 milhões.

A aclamação do secretário de Desenvolvimento Econômico como novo presidente do Santa Cruz acontecerá no dia 30 de setembro e a posse será no dia 7 de outubro. O primeiro edital de convocação foi publicado no último sábado. O segundo e o terceiro sairão nos dias 11 e 17 de setembro, respectivamente.

A corrida agora é para a composição dos nomes para o Conselho Deliberativo e do Executivo. Na próxima sexta-feira, está marcado um novo encontro para discutir os integrantes do Conselho Deliberativo. Já a chapa do Executivo deve ficar para a semana que vem, já que o prazo para inscrição da chapa se encerra no dia 22 de setembro.

Contudo, pelo que deu para sentir após a reunião, a tendência é que os cargos sejam ocupados por pessoas que não vinham envolvidas no processo eleitoral do Santa Cruz. “Ainda é muito cedo para falar em nomes. Primeiro vamos tratar da composição do Deliberativo e esticar uma pouco mais a definição para o executivo”, afirmou o secretário de Estado.

Presente à reunião, o ex-presidente Romero Jatobá Filho, Romerito, comparou esse momento vivido pelo Santa com o Náutico de oito anos atrás. “O Náutico viveu uma situação semelhante quando André Campos assumiu depois da renúncia de Fred (Oliveira). Para se ter união não é preciso um conviver na casa do outro. O fundamental é pensar no Santa Cruz”, disse Romerito, que sentou na mesma mesa de antigos desafetos políticos, como Fernando Veloso e Antônio Luiz Neto. Também compareceram Fred Arruda, Felipe Rego Barros, Ricardo de Paula, Osmundo Bezerra, Rui Monteiro e Paulo Pereira.

A lista de sócios aptos a votar na aclamação do dia 30 de setembro deve ser publicada na próxima quinta-feira. Dentro de campo, o volante Memo foi emprestado ao Treze, enquanto os atacantes Miller e Gilberto, além do goleiro Jaílson, vão para o Nacional de Patos. Todos vão disputar a Copa Paraíba Sub-21.

Fernando aceita presidir o Santa Cruz

Ivve Rodrigues



Com a resposta positiva, os outros pré-candidatos saíram da disputa pelo cargo
Encontro reuniu integrantes de todos os grupos políticos existentes no clube
GUSTAVO LUCCHESI

Depois de receber o aval e o apoio do governador Eduardo Campos, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Fernando Bezerra Coelho, reuniu-se ontem à noite com todos os pré-candidatos ao cargo de presidente do Santa Cruz no biênio 2009/2010, e deu o tão esperado “sim” ao tricolores, confirmando o seu nome como postulante único na eleição coral, marcada para o dia 30 deste mês. Após a decisão, tomada com o apoio de todos os presentes, os antigos candidatos, sem exceção, anunciaram a retirada de suas respectivas chapas do pleito eleitoral.

Assinaram a ata de presença no encontro, além de Bezerra Coelho, os seguintes nomes: Fred Arruda, Fernando Veloso e Osmundo Bezerra (Aliança Coral); Ricardo de Paula, Antônio Luiz Neto e Romerito Jatobá (União de Verdade); Felipe Rêgo Barros (Reconstrução); Rui Monteiro (Renovação) e Paulo Pereira.

Com o consentimento de todos, o secretário informou que irá anunciar os componentes do seu Conselho Deliberativo apenas na sexta-feira. Já os integrantes do Executivo e do Patrimonial, irão demorar um pouco mais para serem divulgados. Como o prazo de registro das chapas para a eleição é até o dia 22 deste mês, Bezerra Coelho terá que anunciar toda a sua equipe antes desta data.

E para a tristeza da maioria dos antigos postulantes à presidência do Mais Querido, o futuro mandatário coral aproveitou para comentar que, por enquanto, não pretende utilizar nenhum nome dos antigos pré-candidatos no seu bloco político. “Ainda é cedo para apontar nomes, mas minha idéia é chamar novos integrantes, que ainda não tiveram suas chances de ajudar. Porém, o mais importante é que todos estão dispostos a contribuir e me deram total liberdade para eu formar a minha chapa”, comentou Bezerra.

Antes do encontro com as diversas lideranças, Bezerra Coelho surpreendeu a todos e se reuniu com o atual presidente coral, Édson Nogueira, o Edinho. Na conversa com o ainda mandatário do clube, o secretário solicitou uma auditoria para fazer um levantamento detalhado sobre as dívidas e as contas que o Santa Cruz possui, sendo prontamente atendido por Edinho.
Sem querer entrar em detalhes, o secretário do Estado e presidente do Porto de Suape adiantou qual será a sua primeira medida após tomar posse do cargo, com isso devendo acontecer no dia 7 de outubro. “Vou zerar toda a mídia veiculada ao clube e correr atrás de novos apoios. Precisamos estancar graves problemas o mais rápido possível”, declarou.

ELENCO

Apesar da reapresentação coral ser apenas quinta-feira, alguns jogadores já deixaram o elenco do Mais Querido. Os pratas-da-casa Jaílson, Miller e Gilberto foram emprestados ao Nacional de Patos/PB, além de Memo, que defenderá o Treze/PB, também até o fim do ano. Já o volante e ex-capitão coral, Alexandre Oliveira, rescindiu com o Tricolor e acertou sua ida para o ABC/RN, como a Folha de Pernambuco havia antecipado na edição do último sábado.