quarta-feira, 9 de julho de 2008

Contra a pressão por vitória e pelo retrospecto


O Santa Cruz enfrenta esta noite a pressão pela primeira vitória na edição atual da Série C do Campeonato Brasileiro e o péssimo histórico recente contra o Central. Desde que retornaram à Série A1 do Campeonato Pernambucano, na competição de 2006, os alvinegros levam vantagem sobre os corais nos confrontos diretos. São seis encontros, com três vitórias para os caruaruenses, dois empates e um único êxito dos recifenses. A partida de hoje está marcada para as 20h30, no Estádio do Arruda, pela segunda rodada do Grupo 5 da Terceirona.

Como foi derrotado na estréia da competição pelo Campinense-PB por 2x1, em Campina Grande, domingo passado, não interessa outro resultado ao Santa Cruz que não seja a vitória. Sem pontuar, os tricolores seguram atualmente a lanterna da chave. O líder é justamente a Raposa paraibana, com três pontos. Central e Potiguar de Mossoró-RN, que empataram por 0x0, em Caruaru, dividem a segunda colocação, com um ponto.

O treinador Fito Neves promove para a partida de logo mais mudanças de peça e no esquema tático. Diferentemente do que fez durante o Estadual e na estréia da Terceirona, o comandante coral não vai utilizar o 3-5-2. Trabalhou nos treinamentos do começo da semana e vai adotar agora o 4-4-2. Fito Neves até usou esta formação na Paraíba, mas quando o time estava perdendo por 1x0.

A nova alternativa só foi viável porque três novos meio-campista ficaram à disposição para a segunda rodada: Rafael Oliveira, Uecslei e Ribinha. Ribinha foi regularizado ontem na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), enquanto Uecslei e Rafael Oliveira melhoraram o condicionamento físico e técnico. Contra o Campinense-PB, o treinador contava apenas com Juninho e Miller para o setor. Miller, entretanto, está com 18 anos e não tem a confiança total do comandante.

Quem deixa a equipe para a mudança de esquema é o volante Memo, que vinha atuando como homem da sobra na zaga. Permanecem o zagueiro Gonçalves e o volante improvisado Leandro. A ausência na defesa é o lateral-direito Rafael Mineiro, vetado pelo departamento médico com uma lesão muscular. Marcos Vinícius, estreando, ocupa o setor. A lateral esquerda continua sob responsabilidade de Esquerdinha.

Rafael Oliveira preenche a lacuna deixada por Memo para atuar na criação e concretizar a conversão ao esquema 4-4-2. A outra vaga da meia é uma incógnita. Juninho, titular diante dos paraibanos, disputa com Ribinha. Fito faz mistério até minutos antes do jogo. Na cabeça-de-área, seguem Alexandre e Garrinchinha. No ataque, outra mudança. Machucado, Thomas Anderson dá lugar ao estreante Patrick. Edmundo completa a escalação.

Acesso ao estádio passa por mudança

A interdição do anel superior de arquibancadas desde dezembro do ano passado provocou uma série de mudanças no acesso dos torcedores do Santa Cruz para o confronto desta noite diante do Central. Como os portadores de ingresso do programa governamental Todos com a Nota não poderão ser locados em cima, a diretoria coral reorganizou os outros setores do Arruda para que não haja confusões.

A mudança mais significativa é o encolhimento do tradicional setor destinado aos sócios do clube. Atualmente, o espaço comporta nove mil pessoas. Segundo a diretoria, entretanto, o clube possui no momento dois mil associados em dia. Ou seja, a maior parte estará reservada para os torcedores que adquirirem bilhetes de arquibancadas (R$ 20), estudante e idosos (R$ 10) e crianças (R$ 5). A ala vai se estender até a diagonal da barra da Avenida Canal.

A torcida adversária, que em jogos de menor porte ficava praticamente colocada às sociais, terá um espaço para mil pessoas atrás da barra da Avenida Canal. Os ingressos para os centralinos serão vendidos nas bilheterias da mesma rua. “Temos que oferecer todo o conforto para os visitantes e também tentar evitar que haja possíveis confrontos”, declarou o supervisor do departamento de futebol, Luiz Cláudio.

TODOS COM A NOTA

Os portadores de entrada do Todos com a Nota ficarão localizados nas arquibancadas frontais e atrás da barra da Rua das Moças. Havia 30 mil ingressos à disposição, mas somente 18 mil foram trocados para esta partida. “Estamos tentado organizar da melhor forma possível. No dia em que forem trocados os 30 mil, se o Santa fizer uma boa campanha, haverá ainda mais preocupação”, declarou o funcionário.

CRIANÇAS

O clube rebateu também as críticas pela cobrança a crianças. “Éramos os últimos da região a não cobrar. Além disso, os únicos beneficiados com a entrada de graça eram infratores, que aproveitavam para furtar outros torcedores e arrombar camarotes. Denunciamos vários casos à polícia”, concluiu Luiz Cláudio.

Patativa recheada de ex-corais no Arruda

O empate contra o Potiguar do Mossoró, na primeira rodada da Série C, não foi bem digerido pelo jogadores do Central. Por isso, o técnico Marcelo Villar armou uma equipe que vai buscar a vitória, hoje, contra o Santa Cruz, no Arruda. Um dos trunfos do treinador é contar no elenco com atletas que já passaram pelo time coral nos últimos anos.

Do time titular que participou do treino coletivo, ontem, no estádio Luiz Lacerda, cinco atletas já vestiram as cores do Santa Cruz: Jamesson, Carlinhos Paulista, Bebeto, Vital, Neto, Willams, Cláudio e Leonardo. Mas destes, Vital, contundido, e Neto, que aguarda regularização da CBF, são dúvidas. Além deles, o Central ainda conta no elenco com o zagueiro Alex Xavier e o atacante Marco Antônio, que já estiveram no Arruda, mas que não devem enfrentar o Santa.

O técnico Marcelo Villar ainda não tem o time definido para o duelo contra o Santa Cruz. O volante Neto treinou como titular e só ficará de fora se não for regularizado. Caso não possa jogar, o zagueiro Sidney será improvisado no setor. O lateral Carlinhos Paulista também aguarda regularização. Mas, independente da documentação, o atleta ficará na reserva de Jamesson.

Na lateral-esquerda, o experiente Vital está sendo observado pelo departamento médico. Caso seja vetado, Júnior Paulista será escalado na posição. “Sabemos das dificuldades, mas vamos buscar a vitória”, afirma Villar.

Tetra foi no Central

Antes de destacar a história dos confrontos entre Santa Cruz e Central, é bom fazer um esclarecimento. Desde que o JC começou a relembrar jogos do passado, será a primeira vez em que dois clubes pernambucanos se enfrentam. Depois de uma conversa editorial, ficou decidido que o memória JC vai privilegiar os times mandantes nos duelos entre clubes locais. Desta forma, hoje os tricolores serão brindados com uma vitória do Santa, enquanto os centralinos irão à forra no duelo da quarta-feira (dia 23 de julho) entre as duas equipes, no Luiz Lacerda, em Caruaru.

Entre o final da década de 60 e início dos anos 70, a fase do Santa Cruz era outra. Basta dizer que o tricolor foi pentacampeão estadual (1969/70/71/72/73) e quarto lugar no Brasileiro da Série A de 1975 – perdeu a semifinal para o Cruzeiro. O Internacional foi o campeão. E um dos cinco títulos estaduais conquistados em seqüência pelo Santa foi em cima do Central. Em 1972, o tetra veio após uma goleada por 4x0 aplicada nos centralinos.

Oito clubes participaram do Campeonato Pernambucano de 1972 – Santa Cruz, Sport, Náutico, Central, América, Ferroviário, Santo Amaro e Íbis. Os corais venceram os dois turnos e as conquistas vieram, matematicamente, após triunfos sobre os caruaruenses.

No primeiro turno, o Santa fez 3x0 na Patativa, no dia 19 de março, na Ilha do Retiro, com gols de Fernando Santana, Erb e Betinho. Já no jogo que valeu a taça do segundo turno e, conseqüentemente, a do Pernambucano de 1972, goleada por 4x0. O jogo aconteceu no dia 4 de maio, nos Aflitos. Os gols do tricolor foram marcados por Betinho (2), Luciano Veloso e Bita.

No jogo do título, o técnico Evaristo de Macedo escalou assim o Santa Cruz: Detinho, Ferreira, Sapatão, Rivaldo e Cabral, Erb e Luciano Veloso, Betinho, Fernando Santana (Zé Carlos), Bita e Givanildo. Já o Central foi a campo com: Félix, Patota, Borges, Juscélio e Deco, João Paulo e Paulo Roberto, Joãozinho, Zito (Moacir), Peteleco e Chau.

HISTÓRICO

Até hoje, Santa e Central já se enfrentaram 259 vezes. Foram 154 vitórias da Cobra Coral, 66 empates e 39 triunfos da Patativa. O Santa marcou 439 gols e sofreu 179.

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