segunda-feira, 30 de junho de 2008

Na ponta dos cascos

Sem perder o embalo do Pernambucano, Central entra na disputa do grupo 5 da Série C como favorito
José Gustavo
Da equipe do Diario


Segundo adversário do Santa Cruz no grupo 5, o Central deve começar a Série C do Brasileiro na ponta dos cascos. A equipe praticamente não parou as suas atividades ao final do Campeonato Pernambucano. Pelo contrário. Deu uma folga pequena ao elenco e retornou logo para uma inter-temporada na cidade de Bonito. Perdeu poucos atletas do grupo do Estadual (que ficou na 3ª colocação) e reforçou-se com cautela. Sem sombra de dúvidas sai na frente dos outros três concorrentes diretos - Santa Cruz, Campinense e Potiguar -, que começaram a preparação, efetivamente, há pouco mais de 20 dias. A Patativa é a grande favorita.

Todas as fichas do presidente do Central, Ronaldo Lima, estão sendo jogadas na disputa desta terceira divisão nacional. Por isso, a marca da ousadia. Há três anos, o clube estava praticamente abandonado na segunda divisão do Pernambucano. "Foi quando assumimos o poder no clube. A primeira coisa que fizemos foi tentar resgatar a auto-estima dos torcedores", disse o presidente. E ele conseguiu. Em algumas horas na Capital do Agreste, o Diario comprovou que os caruaruenses já vestem a camisa do clube com muito mais orgulho desfilando pelas ruas da cidade.

Para se ter uma idéia, durante o Campeonato Pernambucano, foram vendidas cerca de quatro mil camisas oficiais do clube. É claro que boa parte delas foram comercializadas nas semanas que antecederam ao jogo com o Palmeiras pela Copa do Brasil. Fato que não acontecia há 22 anos, quando ocorreram os últimos confrontos do Central contra os grandes do Sudeste do país (Brasileirão de 1986). Esse "novo" Central não encontra-se apenas fora de campo. As boas campanhas nos dois útlimos estaduais - foi vice-campeão em 2007 e ainda briga na Justiça pelo 2º lugar deste ano - resgataram também a credibilidade do clube no cenário regional e nacional.

"Ninguém queria vir jogar aqui no clube. Nós não tínhamos credibilidade alguma e erámos conhecidos como um clube que não pagava, sempre atrasava salários e não tinha estrutura. Hoje a situação é diferente. Pagamos em dia e temos um treinador de primeira linha", afirmou Ronaldo Lima.

Investimento - Sem muita preocupação com a folha administrativa - é totalmente bancada pelos aluguéis das lojas ao redor do estádio Luiz Lacerda -, o presidente centralino segue tentando fechar mais patrocínios para a folha do elenco profissional, que ficará entre R$ 100 mil e R$ 130 mil. Hoje, o clube conta com a ajuda de apenas dois patrocinadores fixos: a Prefeitura de Caruaru e a Rota do Mar, que também fornece o material esportivo do clube. Só esses dois investidores, cujo valor Lima não quis adiantar, não cobrem os gastos com o futebol.

"Estamos negociando espaço de publicidade no estádio e temos ainda a receita com as rendas dos jogos e os associados. O Central tem cerca de 3 mil sócios cadastrados, porém, apenas 200 adimplentes. "Mas eu não vou desistir. Formamos um time forte e vamos lutar, primeiro para ficar na Série C em 2009 e, depois, pelo acesso à Série B", completou.

A força da cidade

A duplicação da rodovia BR-232 ajudou bastante, pois o tempo de viagem entre Recife e Caruaru diminuiu bastante. Mas o crescimento do município vai muito além disso. A cidade é a que mais cresce no agreste pernambuco. Seu desenvolvimento urbano e econômico vem sendo alarmante. O pólo de confecções foi um dos responsáveis diretos por esse crescimento da conhecida "Capital do Agreste". Hoje, Caruaru conta com inúmeras pequenas e médias empresas ligadas ao setor de confecção. Sua proximidade de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe também ajuda a escoar as fabricações pela sua excelente localização geográfica.

Mesmo com a sua economia baseada no comércio, as feiras livres (artesanatos, ervas, calçados e confecções) formam outro ponto forte na cidade. A tradicional Feira de Caruaru virou, inclusive, patromônio histórico brasileiro. A cidade também se destaca como um novo pólo industrial, além de ter uma excelente rede médica e boas instituições de ensino superior. A população de Caruaru, segundoo IBGE, gira em torno de 289 mil habitantes.

O andarilho atacante

Depois de passar por Náutico, Santa Cruz e Sport, Marco Antônio veste a camisa do Central da Série C

Só em Pernambuco ele já vestiu a camisa de Náutico, Santa Cruz, Sport e, agora, Central. Além desses, o andarilho atacante Marco Antônio passou por mais 11 clubes brasileiros e um sul-coreano (Chombcky). Lembra de todos eles nos mínimos detalhes. De alguns ainda leva boas lembranças no coração. Já outros tenta não lembrar muito. Com seu jeito descontraído de conversar, o novo atacante centralino diz que, com o passar do tempo, enxerga o futebol de maneira diferente. "Estou me desiludindo com o futebol. Acho que com mais dois anos eu vou pendurar a chuteira", deixou escapar.

Sem querer entrar em muitos detalhes, Marco Antônio, com apenas 29 anos, deixa nas entrelinhas que o desgaste com os constantes atrasos de salários nos clubes, pendências jurídicas são os fatores responsáveis pela sua desilusão. "Quando parar vou ser treinador. Isso já é certo", adianta, mostrando um misto de contradição.

Esse lado contraditório dele vem dos bons momentos. Em 2003, jogando pelo Ceará, lutou pela artilharia da Série B. Noano seguinte levou o Fortaleza de volta a Série A do Brasileiro. Já em 2005 virou ídolo do Santa Cruz. "Ah, e teve ainda o meu começo pelo São Paulo. Subi ao time principal pelas mãos do senhor Telê Santana", completou, mostrando todo o seu carinho e respeito pelo ex-treinador, já falecido. Isso tudo sem falar das convocações para quase todas as categorias de base da Seleção Brasileira.

E o Central? "Estamos fazendo um time forte", disse. "Aqui tem muita gente boa e querendo. Se encaixar direitinho vai longe", completou. E precisa ir longe mesmo. Se não chegar na terceira fase da competição, a Patativa não garante vaga na Série C do próximo ano. Marco Antônio sabe muito bem disso e quer usar a sua experiência para ajudar o time. "Já disputei duas vezes a Série C (pelo Náutico e Portuguesa Santista). Esta será a terceira. Nas outras eu era muito novo e corria bastante. Agora a situação é outra", relembra, sorridente. "Mas já conheço os atalhos do campo e não perdi o faro de gol".

Vivendo uma nova fase em Caruaru, Marco Antônio mostra-se bastante adaptado à cidade. O atacante mora apenas a 1 km do estádio Luiz Lacerda, local dos treinamentos, e vai ao trabalho, na maioria das vezes, andando mesmo. "O clima aqui, em Caruaru, é muito agradável. A torcida apoia bastante também, sabia? Sou muito assediado nas ruas", completou.

Ficha técnica

Central Sport Club

Cidade: Caruaru (a 134 km do Recife)

Fundação: 15 de junho de 1919

Presidente: Ronaldo Ferreira de Lima

Endereço: Avenida Agamenon Magalhães, s/n.

Cores: Preto e branco

Mascote: Patativa

Estádio: Luiz Lacerda(Lacerdão)

Capacidade: 20 mil

Site Oficial: www.centralsc.com.br

Time Base: Hudson; Jammerson, William Paraná (Alex Xavier), Bebeto e Vital; Williams, Júnior Paulista, Djalma e Doda; Leonardo e Marco Antônio.

Técnico: Marcelo Villar

Lacerdão mudou

Para quem viu o Luiz Lacerda no início do Campeonato Pernambuco deste ano e rever agora as mudanças são significativas. Porém, o Lacerdão ainda tem muito para melhorar. O gramado, totalmente refeito para o jogo com o Palmeiras pela Copa do Brasil, encontra-se ainda bastante castigado. O piso, apesar do trabalho diário dos funcionários do clube, ainda está desnivelado e duro em alguns locais do campo. Nos últimos 15 dias todos os treinamentos da equipe vêm sendo realizados no gramado do Luiz Lacerda. Diferentemente de anos anteriores, a grama deixou de ser pasto. Em alguns locais ainda se vê o barro batido. A diretoria do clube melhorou bastante o nível do campo, assim, como a drenagem completa do gramado.

Alguns problemas estruturais do estádio também já foram melhorados. A pedido do Corpo de Bombeiros, se ampliou o grade de proteção para o campo (alembrado), os corrimões foram colocados em algumas áreas de risco e também as saídas de emergências sinalizadas. A precariedade continua no vestiário do visitante, que permanece pequeno e estreito.

O elenco

A experiência será a tônica deste atual elenco do Central para o Brasileiro. A diretoria do clube tentou mesclar com a juventude, mas do provável time titular a média de idade chega a beijar os 29 anos. Se a opção foi a mais acertada só o tempo vai dizer. O fato é que a Patativa fez uma aposta em jogadores mais tarimbados e de qualidade inquestionáveis. Só que já vestiram a camisa do rival Santa Cruz, a equipe caruaruense têm quase um time inteiro, ou seja, dez atletas. São eles: Bebeto e Alex Xavier (zagueiros), Jammerson (lateral-direito), Vital (lateral-esquerdo), Williams e Nego (volantes); Djalma (meia), Marco Antônio (meia-atacante), Leonardo e Cláudio (atacantes). Boa parte destes ex-guerreiros corais fazem parte da "Tropa de Elite" do Central.

Por outro lado, o clube perdeu algumas peças importantes do time que disputou o Campeonato Pernambucano e luta na Justiça para reconquistar o vice-campeonato. Fato normal pelo destaque que esses jogadores tiveram no Estadual. Não conseguiram segurar três dos seus principais atletas: Celso (lateral-direito), Moacir (volante) e Edu Chiquita (meia). O importante é que a diretoria conseguiu manter uma boa base da equipe para o Brasileiro. O goleiro Hudson, por exemplo, ficou no time. A diretoria realizou oito contratações para qualificar um pouco mais o time. Destaque para o meia Djalma (ex-Santa e Sport), o lateral-direito Jammerson (ex-Santa) e o meia Ailton (ex-Náutico e São Paulo).

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